quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

E mais um Big Brother Brasil se aproxima

Vejam só que maravilha, chegamos à 10ª edição deste famigerado programa global (entenda como quiser). Quantos "heróis" será que teremos nesta edição?

Ah sim, isso mesmo, "heróis"! Sei lá quantas pessoas enclausuradas numa casa durante um tempo, chamadas por este carinhoso (e exagerado) vocativo, lutando por um nobre objetivo que só será alcançado por um deles: um prêmio de, acho que é este o valor, 1 milhão de reais. É, heróis que lutam por nobres valores, claro que por nobres valores deve-se entender grandes quantias de dinheiro!

Sei que já falei deste programa de alto nível aqui neste blog, mas é que a mobilização para o início de outra edição do mesmo se aproxima, e, mais uma vez, aflora a minha (falta de) simpatia pelo programa. Então, vamos lá, mais uma vez, observar no que a atenção de inúmeros brasileiros é despendida durante um considerável período de tempo.

Primariamente, é notória a preferência da equipe do programa por participantes propensos a saírem facilmente do sério, que tenham pouco ou nenhum controle de suas atitudes e do que falam; além de, evidentemente, com frequência fornecerem condições adversas para que estes ilustres personagens um tanto quanto imorais (não sendo essa a regra, afinal, dois ou três ex-BBB's não são imorais) percam o controle emocional e transformem uma festa, ou seja lá o que for, na famosa baixaria. Não é mister dizer que estas vicissitudes, estas condições adversas a que me refiro podem ser exemplificadas por bebidas alcólicas a vontade e por provas cansativas, exaustivas e capiciosas por vezes.

Outro ponto que sempre me chamou a atenção é como este programa atrai a atenção das pessoas; de tal maneira que programas de outras emissoras, vai entender, passam a tarde comentando sobre os acontecimentos do BBB. Baixarias, brigas, bebedeiras (um significado alternativo para a sigla, quem sabe...), tudo isto atrai a atenção de milhões de brasileiros, que passam horas na frente da televisão acompanhando o que um número X de desconhecidos passa enclausurados numa casa, objetivando alcançar o prometido e volumoso prêmio.

E aqui uma última consideração, que já adiantei no início do texto, que seria precisamente a transformação destes participantes em heróis. Pessoas que buscam um prêmio para si próprias, num "jogo sem regras", onde tudo, exceto o contato físico (agressão) é lícito para alcançar o objetivo (e nesse tudo estão incluídas aquelas situações contra nossos costumes, como a manipulação, a mentira, etc); como podem ser estas pessoas serem exemplos, no sentido ideal da palavra, para uma nação? Se estes são nossos heróis, somos um bando de gananciosos que não se importam em pisar e manipular quem quer que seja para conseguir o que almejamos, que não se importando em causar feridas nos outros, em fazer sangrar a alma até de quem amamos! Somos assim?! Eu jamais!

Nada contra os tão citados (por mim) ex-BBB's, nem contra os futuros, porém não consigo conceber que seja possível que tenhamos valores tão distorcidos, a ponto de achar que pessoas buscando enriquecer, por muitas vezes inescrupulosamente, possam ser chamadas de heróis, possam ser exemplo para o Brasil, ou estou errado? Falamos tão mal de nossos representantes políticos quando os vemos agir contra o que temos por moral, por bom-costume, e na maioria das vezes legal; não podemos então ter por "ídolos" (outro exagero linguístico para a situação) alguém que buscou o prêmio de 1 milhão de reais, que buscou só isso, pautado nas baixarias que, infelizmente, sempre atraem a audiência.

Meus heróis são outros, idôneos, que talvez este país jamais tome conhecimento de sua existência, mas mártires, que pregavam o amor, que não buscavam seu próprio benefício, mas o bem comum, tornar o mundo um lugar melhor. Apesar de não serem famosos, apesar de talvez relativamente pouco conhecidos, buscaram tornar a vida das pessoas com quem conviveram melhor, visando não o seu próprio benefício, mas a felicidade estampada no rosto dos outros lhes motivava, o bem do próximo já lhes bastava. Heróis, estes sim, heróis!